vida

Filmes para quando nada dá certo

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

O título vai soar um tanto bizarro e dramático, mas comentei esses dias por aqui que eu tenho uma lista de filmes que assisto em momentos downs da minha vida, aquelas horas que nada dá certo e a preguiça de viver domina.

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Como essa ligação que tenho com ficção é mais forte do que eu gostaria, realmente esses filmes tem o dom de melhorar meu humor e me darem coragem/força que eu preciso. Tô com medo de esquecer algum, porque depende muito da época e do que você está “se recuperando”, mas vou falar dos mais importantes:

Bonequinha de Luxo

Quando assisto: Esse filme serve para qualquer fase da vida e qualquer situação que esteja me desanimando, às vezes me sinto perdida por não saber o que quero fazer da vida até hoje (profissionalmente), ou aqueles momentos de carência e TPM, daí é só colocar esse filme e pegar o brigadeiro e pronto! É um remédio emocional, hahaha.


Frase marcante: “Eu não quero nada até encontrar um lugar onde eu e as coisas caminhem juntas. Eu não sei onde é, mas sei como é.”

Alice no país das maravilhas

Quando assisto: Idem ao “Bonequinha de Luxo”, acho deliciosa a versão do Tim Burton para esse filme, e são para momentos que me sinto meio perdida também (tão vendo que não são raros). Acho que a busca da Alice por ela mesmo e qual caminho seguir são as grandes questões que me fazem adorar essa história, tem várias sacadas excelentes e sempre termino de ver o filme felizinha.


Frase marcante: “Quando acordei hoje de manhã, eu sabia quem eu era, mas acho que já mudei muitas vezes desde então.”

Cisne Negro

Quando assisto: Momentos de exigências gigantes minhas comigo mesma, onde estou ou estagnada em algo, ou buscando a perfeição e nunca consigo me sentir saindo do lugar.

Frase marcante: “A única pessoa no seu caminho é você mesma.”

Clube da Luta

Quando assisto: qualquer momento de revolta, hahaha. Tá, não é bem assim, eu diria que quando estou também me cobrando ou me sinto perdendo algo importante. Momentos de medo também são aqueles que me fazem correr para esse filme, acho sensacional a história, as frases e o up que me dá.

Frase marcante: “É apenas depois de perder tudo que somos livres para fazer qualquer coisa”

Amélie Poulain

Quando assisto: TPM, desilusão e quando preciso de algo “gostoso” para ver, tipo quando você quer aquele filme que é um carinho e um abraço confortável.

Frase marcante: “São tempos difíceis para os sonhadores…”

Devo ter parecido a pessoa mais carente da história dos blogs, mas queria compartilhar com vocês esses meus amorezinhos. E vocês, tem algum filme para me indicar que podem dar uma animada em um bad day? Aceito dicas! :)

Update
Estou lembrando de alguns filmes que não estão ai e também já fizeram muito parte dessa lista, como: Closer, PS. eu te amo, Brilho eterno de uma mente sem lembrança, e 500 dias com ela (amo, amo e amo!). Acho que vamos precisar da parte 2 desse post :P

Mentir engorda – 5 mentiras que eu mais conto para mim mesma

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

Hoje eu levei um susto ao me pesar, mais uma vez havia engordado. Por mais que quem esteja perto diga “você tá bem” (as pessoas só acham que você tem problemas com a balança se estiver uns 40 kg acima do peso) eu sei o quanto que eu deveria estar pesando e sei que não tenho me esforçado nem um pouco para mudar isso, pelo contrário, resolvi encontrar uma série de desculpas para ficar exatamente no mesmo lugar que estou. Aqui resolvi contar pra vocês algumas delas.

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  1. Eu vou mudar meus hábitos assim que…

Essa frase pode terminar de milhares de maneiras, eu postergo o meu emagrecimento e me dou mais uns dias (que viram meses) comendo desesperadamente e colocando uma meta lá no futuro. Geralmente eu acho que vou conseguir mudar ou na próxima segunda-feira, ou quando estiver calor – afinal frio da aquela fome – ou quando eu tiver mais tempo para cozinhar coisas saudáveis, ou na próxima ida ao mercado, e por aí vai. A verdade é que nunca esse dia chegará, a não ser que eu decida ou perceba que já passei da hora e adiar não é mais a solução.

  1. Vou comer tudo que eu tiver vontade de uma só vez, assim enjoo e paro de comer.

Está aí a minha mentira mais clássica. Essa serve de desculpa quando como um pacote de bolachas ou uma caixa de chocolate inteira de uma só vez, afinal, como vou me negar comer compulsivamente já que essa é a última vez que faço isso na vida? (E é claro que nunca é a última vez).

  1. Estou comendo a mesma quantidade que antes e continuo engordando.

A única forma de engordar sem comer é mentindo que está engordando sem estar comendo. A não ser que a pessoa tenha um sério problema de saúde, não existe a possibilidade de ela engordar mais sendo que está comendo pouco ou a mesma quantidade que comia quando não estava gorda. Mais uma que está na minha lista e que repito sempre para mim, perguntando pro céu como posso estar engordando tanto assim, já que eu continuo comendo a mesma quantidade de antes, tirando as últimas mil vezes que comi pizza e aguentei pelo menos um pedaço a mais que eu costumava aguentar.

  1. Não preciso ter um corpo musculoso, nem atleta eu sou.

Muitas vezes a gente confunde saúde com estética, ou pior pensamos que somente os atletas ou pessoas que o trabalho tenha alguma relação com a estética precisam cuidar da alimentação. Nós, meros mortais, temos mais é que comer mesmo.

  1. Eu vou fazer exercícios aeróbicos porque não vou conseguir parar de comer.

Finalmente eu repito essa frase para mim mesma como se fosse um mantra quando vejo aquele brigadeiro, feijoada, hambúrguer, pizza (…), na frente e sei que não vou resistir. Nessa hora eu começo a me fazer mil promessas mentalmente que saem mais ou menos assim: “ok, vamos comer, pois nós não resistimos uma boa comilança, mas em troca desse prazer teremos que correr muito, combinado? Amanhã cedo nós vamos correr no parque para compensar esse pé na jaca”. Essa mentira serve temporariamente para cortar a culpa no momento em que eu como, mas nunca consegui acordar cedo no dia seguinte e correr.

Por mais que seja uma forma de desabafar e brincar com a situação é bom lembrar, ninguém acorda pesando 50 kg a mais, então é necessário ficar atento, pois a gente sempre acha que “são só mais dois quilos, nem é tanto” e vai literalmente empurrando com a barriga e quando vê perdeu completamente o controle da situação. E você, se identificou com alguma dessas desculpas? Quais são as que você conta com mais frequência? Me conta para não me sentir sozinha.

imagem escolhida para ilustrar por motivos de ownnnn *suspiros*

Vivemos no tempo da ditadura da felicidade

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

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Nos últimos meses tenho acompanhado na internet uma enxurrada de textos sobre pessoas que largaram tudo e foram “em busca da felicidade”. Alguns deles eram bem gostosos de ler, e por um momento eu pensava: poxa, que legal e que coragem desse pessoal.

Após tanta recorrência do tema “felicidade”, ou “fui ser feliz em-não-sei-onde”, eu comecei a me questionar em que lugar do mapa fica essa tal felicidade que todo mundo está procurando e que para encontrá-la a pessoa precisa largar tudo. Será que isso realmente existe?

Aqui cabe aquele clichê de “A felicidade não é um destino e sim a estrada”, ou seja, não tem um lugar no mundo que quando você chegar lá você vai ser/estar feliz automaticamente, na teoria/imaginário a busca por esse ideal é o que fará você se encontrar como pessoa e viver uma vida plena, mas na prática é o que pode te trazer grandes frustrações.

Na época da faculdade, ouvi muitos colegas desistirem do curso, porque achavam que não iriam ser felizes fazendo aquilo. Eu ficava um pouco espantada, pois por mais que acredite que você tenha que ter afinidade e interesse pelo que estuda, você tem que saber que aquilo não irá te fazer feliz. E nem tem como, seu curso de graduação não foi feito para ser legal, te deixar uma pessoa mais realizada e rindo a toa. Pelo contrário, aquilo te prepara para a vida real, que infelizmente para a nossa geração, não é tão colorida, legal e fantástica como pensamos que seria.

Outra frase que me vem a cabeça é a que a fofa da Charlotte  do Sex and the City diz “Eu não sou feliz o dia inteiro, mas me sinto feliz todo dia“, acho cute essa forma de pensar, mas até isso é uma utopia, porque tem dias que a gente tá de saco cheio de tudo mesmo. O que eu fico pensando é quando que nós viramos tão desesperados pelo conceito de felicidade, que precisamos de lugares externos, viagens e largar tudo, para encontrar esse sentimento? Onde que ele pode estar que não é dentro de você?

Por muito tempo me frustrei e me coloquei nesse papel de “preciso buscar o que me faz feliz” até perceber que a resposta era mais simples que eu imaginava, porque era necessário só uma pessoa para me fazer feliz e era eu mesma. Eu parei de idealizar as coisas e comecei a curtir os pequenos prazeres que a vida oferece o tempo todo, passei a me curtir, a sentir e observar coisas que antes estavam despercebidas e quando você simplifica as coisas, esse ideal inatingível se torna algo abstrato, que você nem sente mais vontade de estar lá, porque estar aqui é bem melhor.

“Olha lá, quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá, quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar

Eu que já não quero mais ser um vencedor
Levo a vida devagar pra não faltar amor”

O vencedor – Los Hermanos

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Quando a vontade de chorar vem toda de uma vez

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

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Preciso contar uma coisa que quem não conviveu comigo na infância não imagina sobre mim: eu era uma criança chorona. Chorava quando brigava com a minha mãe, com a minha irmã, com a minha prima, chorava se riam de mim, chorava de saudade dos meus amigos, chorava escutando música, assistindo filme ou quando estava muito feliz. Não conseguia completar uma semana inteira sem um chorinho, nem que fossem umas lágrimas de desabafo. Passei tanto tempo chorando, que acho que as lágrimas acabaram.

Não lembro exatamente quando isso aconteceu, mas há algum tempo eu realmente não consigo mais chorar, travei, ou meu canal lacrimal parou de funcionar corretamente. Eu não chorei no meu casamento, nem na minha formatura, ou quando consegui meu primeiro emprego, pior ainda, não chorei nem quando terminei aquela amizade que eu achava ser tão verdadeira. Simplesmente eu parei de chorar por motivos que realmente “merecessem” as minhas lágrimas.

A única coisa que me fazia continuar chorando eram os filmes e as séries, ainda assim isso só acontecia quando eu estava sozinha, se eu não estivesse eu procurava o banheiro mais próximo e ia chorar lá escondida.

Não sei se foi os anos de chorona que me fizeram mudar meu jeito, o fato é que agora eu percebo que passo meses sem chorar, mas quando vem a vontade eu faço uma lista mental dos motivos pelos quais estou chorando para desabafar tudo em uma única vez. Parece loucura, mas funciona assim mesmo, eu aproveito um motivo e choro pelos que ainda não tinha “tido tempo”.

Um exemplo aconteceu semana passada, eu estava chateada com a absurda queda de pelos do meu gato. Costumo escovar os pelos dele duas vezes por dia, dar ômega 3, e fazer tudo para amenizar essa queda, mas naquela semana nada dava jeito (por causa da troca de estação). Então comecei a escová-lo enquanto isso o Gustavo passava aspirador em volta da gente, para os pelinhos não voarem (estava assustadora a quantidade que caia), quando de repente o aspirador foi na direção dele e ele se assustou e me arranhou toda. Naquela hora eu chorei de soluçar por quase meia hora.

Chorei porque ele tinha ficado assustado e nunca tinha visto meu gato assim. Chorei porque eu achei que ele nunca mais fosse confiar em mim. Chorei porque as coisas não são como eu quero, afinal, por que ele tinha que soltar tanto pelo em vez de ser só lindo e me dar amor? Chorei porque aquela semana tinha sido um lixo, e já que eu estava ali chorando, valia a pena lembrar isso. No final do chororô todo eu já nem lembrava mais o porquê de tanta tristeza, e foi ai que me senti ridícula e parei com aquela cena.

O engraçado é que a tem gente que tem a estranha noção de que choro é sinônimo de fraqueza, do mesmo jeito que pensam que quem vive sorrindo é alguém feliz. O fato é que eu parar de chorar não me fez mais feliz, nem mais forte, e segurar o choro me deixou sempre com um sentimento preso, como se tivesse algo pronto para explodir dentro de mim a qualquer momento, independente do motivo.

Meu ponto contando isso tudo é: não importa como você reage aos seus sentimentos, mas você tem que reagir, seja chorando, gritando, conversando ou explodindo. Ignorar não faz eles sumirem e não enfrentar não leva a lugar nenhum. Cada pessoa tem os seus mecanismos de defesas e usa eles da forma que é mais confortável e conveniente, mas não tem nada mais chato do que não se expressar, por parecer fraco, fraquezas são da nossa natureza, você prefere viver ou parecer que viveu as suas experiências?

foto: we heart it 

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A preguiça de viver. Ou não.

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

Hoje quando acordei, senti a usual raiva de ter que acordar, de ter que sair da cama, de ter que parar de dormir (cara, eu amo dormir!), em síntese: raiva de ter que viver. Então comecei minhas ladainhas para o Gustavo:

– eu odeio acordar, eu odeio sair da cama, eu tenho preguiça de viver e se não fosse por você e pelo Argus eu nunca mais saia da cama!

– você não tem preguiça de viver não.

– sim eu tenho!

– então por que você faz tanta coisa?

– que tanta coisa eu faço?

– você trabalha, faz pós, fotografa, tem o blog, todos os horários do seu dia são cheios e você nunca para em casa.

– eu só faço tudo isso para disfarçar a preguiça que sinto de viver, mas isso não significa nada…

O fato é que agora depois desse diálogo eu tou realmente pensando porque eu arranjo tanta coisa para fazer, e se realmente é possível alguém que fica contando os segundos para voltar para a cama quentinha, e achando que tem preguiça de viver, é na verdade alguém que tem a maior sede do mundo de viver tanta coisa que não cabe na semana, no mês e no ano. Não cabe em um só vida. Como pode existir tanta contradição em uma só pessoa?

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