choro

Quando a vontade de chorar vem toda de uma vez

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

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Preciso contar uma coisa que quem não conviveu comigo na infância não imagina sobre mim: eu era uma criança chorona. Chorava quando brigava com a minha mãe, com a minha irmã, com a minha prima, chorava se riam de mim, chorava de saudade dos meus amigos, chorava escutando música, assistindo filme ou quando estava muito feliz. Não conseguia completar uma semana inteira sem um chorinho, nem que fossem umas lágrimas de desabafo. Passei tanto tempo chorando, que acho que as lágrimas acabaram.

Não lembro exatamente quando isso aconteceu, mas há algum tempo eu realmente não consigo mais chorar, travei, ou meu canal lacrimal parou de funcionar corretamente. Eu não chorei no meu casamento, nem na minha formatura, ou quando consegui meu primeiro emprego, pior ainda, não chorei nem quando terminei aquela amizade que eu achava ser tão verdadeira. Simplesmente eu parei de chorar por motivos que realmente “merecessem” as minhas lágrimas.

A única coisa que me fazia continuar chorando eram os filmes e as séries, ainda assim isso só acontecia quando eu estava sozinha, se eu não estivesse eu procurava o banheiro mais próximo e ia chorar lá escondida.

Não sei se foi os anos de chorona que me fizeram mudar meu jeito, o fato é que agora eu percebo que passo meses sem chorar, mas quando vem a vontade eu faço uma lista mental dos motivos pelos quais estou chorando para desabafar tudo em uma única vez. Parece loucura, mas funciona assim mesmo, eu aproveito um motivo e choro pelos que ainda não tinha “tido tempo”.

Um exemplo aconteceu semana passada, eu estava chateada com a absurda queda de pelos do meu gato. Costumo escovar os pelos dele duas vezes por dia, dar ômega 3, e fazer tudo para amenizar essa queda, mas naquela semana nada dava jeito (por causa da troca de estação). Então comecei a escová-lo enquanto isso o Gustavo passava aspirador em volta da gente, para os pelinhos não voarem (estava assustadora a quantidade que caia), quando de repente o aspirador foi na direção dele e ele se assustou e me arranhou toda. Naquela hora eu chorei de soluçar por quase meia hora.

Chorei porque ele tinha ficado assustado e nunca tinha visto meu gato assim. Chorei porque eu achei que ele nunca mais fosse confiar em mim. Chorei porque as coisas não são como eu quero, afinal, por que ele tinha que soltar tanto pelo em vez de ser só lindo e me dar amor? Chorei porque aquela semana tinha sido um lixo, e já que eu estava ali chorando, valia a pena lembrar isso. No final do chororô todo eu já nem lembrava mais o porquê de tanta tristeza, e foi ai que me senti ridícula e parei com aquela cena.

O engraçado é que a tem gente que tem a estranha noção de que choro é sinônimo de fraqueza, do mesmo jeito que pensam que quem vive sorrindo é alguém feliz. O fato é que eu parar de chorar não me fez mais feliz, nem mais forte, e segurar o choro me deixou sempre com um sentimento preso, como se tivesse algo pronto para explodir dentro de mim a qualquer momento, independente do motivo.

Meu ponto contando isso tudo é: não importa como você reage aos seus sentimentos, mas você tem que reagir, seja chorando, gritando, conversando ou explodindo. Ignorar não faz eles sumirem e não enfrentar não leva a lugar nenhum. Cada pessoa tem os seus mecanismos de defesas e usa eles da forma que é mais confortável e conveniente, mas não tem nada mais chato do que não se expressar, por parecer fraco, fraquezas são da nossa natureza, você prefere viver ou parecer que viveu as suas experiências?

foto: we heart it 

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