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A tal da ansiedade

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

No módulo de oratória da pós, todos foram convidados a escolher um tema e apresentar para em sala, quando vi aquela fatídica palavrinha no quadro na hora resolvi escolher, pois sabia que iria falar dela com muita propriedade: ANSIEDADE.

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Mal sabia eu que o fato de eu ser ansiosa e tratar essa “síndrome” com um médico especialista, não me fazia em nada conhecedora do tema. Ao estudar o assunto eu fiquei surpresa, pois eu não sabia que isso estava ligado a tantos fatores externos como está. Então, no final das contas fui estudar um pouco além do que o dicionário e o Google nos dizem sobre o que é a ansiedade, para entender porque vivemos em uma sociedade com tantas pessoas ansiosas, e por que mesmo sendo alguém tão ansiosa eu não tinha nenhum embasamento teórico para falar do tema?

Essas respostas são bem simples e bem complexas. Primeiro, sem perceber a gente deixa a ansiedade tomar conta das nossas vidas, dos nossos dias e da nossa cabeça, mas nem percebemos quão sutil ela é. Precisamos lembrar que estamos falando de pessoas, e se tratando de pessoas e da mente delas, nunca é uma ciência exata e tudo pode ter mil variáveis, então pode ser que tudo que eu escrever aqui faça muito sentido para alguns e nada para outros, mas vamos lá.

Em que momento a ansiedade começa a entrar na nossa vida? Percebo que assim como eu, os grandes ansiosos que conheço são pessoas perfeccionistas, que não aceitam errar, e pior, tem MEDO de errar. Tem medo da frustração, tem medo de ser julgado, e pasmei quando descobri que um dos principais fatores da ansiedade é esse tal medo de ser julgado, de passar vergonha, de dar a cara à tapa mesmo.

Antes de o problema acontecer, a pessoa ansiosa já se imagina vivendo aquilo, e já pensa no pior e já se frustra e tem medo de quando a situação realmente acontecer. E é assim com tudo. Então, para ajudar nossas vidas, temos as redes sociais, o lugar que todo mundo é feliz, que tem as melhores amigas, que vai às melhores baladas, e que a família nunca tem problemas. E o que isso gera? Mais ansiedade, mais medo de não ter a vida tão legal, de nunca chegar lá ou de não perceber que chegou lá, pois está muito ocupada se comparando as outras pessoas.

Por isso, por mais bobo que possa parecer o que descobri, para mim significou muito, pois sempre achei que eu era ansiosa, porque sou assim e pronto, e sempre me achei bem resolvida com essa “síndrome”, mas quando estudei mais vi que no fundo eu realmente tenho medo da desaprovação, tenho pavor de errar e me sinto a pessoa mais problemática do mundo em meio a tanta gente infinitamente feliz. E isso gera sim ansiedade, desespero para que as coisas deem certo logo, sensação de que a vida ainda não começou, mas quando eu virar ali na próxima curva, ai sim vai começar. E aquela curva pode ser o próximo emprego, a próxima casa, o primeiro filho…

Mas a gente esquece que tudo isso já está acontecendo que a vida já começou e que esperar só vai gerar mais frustração, mais ansiedade e esse ciclo se torna vicioso. Por isso, o segredo não está nos remédios e nas outras pessoas, está dentro de nós, na nossa cabeça, nossa mente está só esperando a gente acordar e perceber que a vida já está acontecendo e que as frustrações fazem parte dela, que ninguém é tão feliz como parece, e que você é mais feliz e completo do que você imagina.

Apresentação4

E o que vem depois?

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

Uma das minhas propostas ao começar esse novo site/blog era escrever sobre o que vinha depois de alguns itens alcançados na vida – como casamento, faculdade, compra do primeiro apê, primeiro emprego fixo. Mas a verdade é que para uma pessoa exigente e eternamente inconformada/ansiosa como eu, nada nunca é suficiente e parece que por mais que eu tenha passado por várias etapas eu ainda não vivi/alcancei/fiz nada!

Eu sempre tou pensando nos cursos que quero fazer, nos lugares que eu quero conhecer, nos livros que quero ler, filmes que quero ver, hobbies e trabalhos que quero ter. A conclusão é sempre a mesma: falta horas do dia para caber tanta ansiedade. Quando eu olho para pessoas ansiosas, como eu sou, tentando desesperadamente fazer tudo que veem pela frente por medo de algo dar errado e elas terem mais opções,  eu penso “Calma! Fica tranquilo, vai dar tudo certo lá na frente, na hora que tiver que dar”.

Infelizmente a gente não consegue se olhar no espelho e dar o mesmo conselho com a mesma segurança para nós mesmos. E não é por não acreditar nos conselhos que damos, mas por não conseguir nos enxergar “por fora” e ver como parecemos para o mundo, nosso potencial e nossa capacidade.

Algumas vezes quando conto que comecei minha pós (nunca imaginei que chegaria lá!) as pessoas ficam muito com cara de “UAU, sua vida deve ser muito legal e você é tão estudiosa/esforçada e mimimi”. Dá vontade de falar que não é bem isso, as vezes você tem que te empurrar e seguir a teoria “vai, e se der medo, vai com medo mesmo”. Eu não paro muito para analisar o que estou fazendo, mas isso serve para mim, talvez não para todo mundo, mas ninguém sabe no dia-a-dia como eu conto todos os dias quanto falta para acabar a pós que começou essa segunda-feira. Não porque não estou gostando, mas porque quero começar e acabar tudo muito rápido, para começar mais uma coisa e acabar logo essa outra coisa também.

A ansiedade de viver tudo, de conhecer tudo e de saber de tudo às vezes nos faz esquecer de viver aquele momento como ele deveria ser vivido. Não permite que a gente se olhe mais de perto e sinta o que devemos sentir e aprender naquele exato momento. Então, sinto que mais do que continuar fazendo mil coisas e só ficar feliz enquanto planejo alguma coisa, tomei uma decisão simples e difícil: deixar as coisas acontecerem. Para uma pessoa planejada é muito difícil o lema do um dia de cada vez, mas talvez assim eu seja menos frustrada pelo dia não ter 48 horas.

Só para constar: Odeio a teoria que se conselho fosse bom se vendia, pois quando eu aconselho é porque eu me importo mesmo.

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