October 2013

Muita iniciativa para pouca acabativa

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

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Hoje iniciei alguns textos, acho que 4 ou 5. Cada um sobre um tema, sobre algo que li, ouvi ou pensei, e todos renderam no máximo um parágrafo e embaixo coloquei palavras chaves como tópicos para lembrar depois a linha de raciocino que estava. Comecei 4 ou 5 textos e não terminei nenhum.

Tenho um monte de frases escritas, uma página do word aberta e só sei onde começa um texto e acaba outro pela falta de conexão que existe entre eles. Será que assim como na vida, os textos são mais legais quando ainda são ideias, quando não são colocados em prática, pois na nossa imaginação eles saem bem melhor que no papel? Parece que é mais legal começar as coisas, aquela ideia do novo é mais atraente, e que depois que começa já não é tão legal, e dá vontade de recomeçar outra coisa em vez de terminar aquela.

Talvez nem todos pensem assim, talvez seja a culpa do meu maldito déficit de atenção que torne as coisas mais legais quando ainda são expectativas, e menos legais quando são realidade. Ou pode ser aquela ideia da dificuldade em arrumar as coisas, tudo anda tão descartável e dá tanto trabalho de consertar, que é mais fácil se aventurar no novo, começar do zero, seja um texto, seja um emprego, seja um relacionamento.

Isso me lembra da infância quando ganhávamos um caderno novinho: a gente rabiscava, não gostava, jogava fora a folha e começava tudo de novo em uma folha nova – porque se apagarmos e desenharmos em cima do que deu errado não vai ficar tão bom, e também aquela folha já é parte de algo que não deu certo, e quem sabe talvez uma novinha traga mais sorte.

4 ou 5 textos com começo, e só esse com um fim.

Apresentação4

A vida dentro do nosso próprio reality show

por Jessica Oliveira Blaszcyk em

Quantas vezes é mais importante parecer feliz do que realmente ser? Quando a gente se tornou tão dependente de registrar a vida, que esqueceu de vivê-la? Por muito tempo a fotografia foi usada para eternizar os momentos, e nada era mais gostoso que abrir uma caixa cheia de fotos e passar horas olhando para elas. Hoje até o que estamos comendo vira post na internet. Viramos reféns do nosso próprio reality show, somos nossos paparazzi e o mundo são os “fãs” que temos que dar o prazer de saber da nossa vida, nossa intimidade, que horas levantamos e que horas vamos dormir.

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Como as pessoas viviam sem essas informações tão importantes como a comida que a gente está comendo, onde estamos e com quem? Qual era a graça de conhecer novos lugares sem poder fazer checkin para todos saberem? E como as pessoas saberão que estou me divertindo muito, se eu não colocar uma foto imediatamente após tirá-la, ilustrando o quanto sou feliz?

Mas as pessoas viviam. Eu vivia, você vivia… Vivia, sentia a vida, olhava em volta e enxergava as pessoas, a paisagem, os carros… Era fácil olhar para trás e lembrar as coisas boas, as histórias divertidas, sentar com os amigos e conversar com os que estão ali, esquecer o resto do mundo e focar naquele momento único do qual você é parte. Minha dúvida é apenas uma: será que hoje passamos mais tempo sendo reais ou virtuais?

Apresentação4